"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"A-Antoine de Saint-Exupéry
Exupéry

terça-feira, 31 de julho de 2007

Desastre ambiental forte em Natal/RN

Sabem aquelas histórias de apocalipse, que vai aparecer sangue nos rios, bolas de fogo caindo no céu, etc (nem lembro mais o resto, que católica eu sou hein? :) )? POis, interpreto isso com impactos ambientais que o homem provoca, com sua ganância de poder, sem olhar para aqueles que afetam, sem as consequências que uma ação pode provocar. E muitas vezes acabam sendo afetados não só aqueles que não fizeram nada, como também os "gananciosos". Pois, bem chega de embromar. Um exemplo de consequências maléficas ao planeta terra (dentre os milhares que já ouvimos falar), foi o que ocorreu na minha cidade, essa semana, e que para mim e acredito que para sociedade Norte Rio GRandense, é um dos maiores desastres ambientais da história do Rio Grande do Norte, resultando na morte de, pelo menos, 40 toneladas de peixes e crustáceos entre os rios Jundiaí e Potengi. E estou envergonhada, como Natalense, que esse desastre tenha acontecido aqui na minha cidade, e como brasileira, aqui nesse nosso BRASIL. É uma daquelas coisas que fica difícil da gente acreditar, mas que é real. Igual a um parente proximo da gente que morreu, em que não nos conformamos e não acreditamos que aconteceu. Espero que o governo, prefeitura e todos os órgãos ambientais procurem os responsáveis, se for empresa, feche e processe, pq isso amigos, eu não vou engolir jamais. E façam o possível para que isso nunca mais aconteça. E que a população reaja, não só os pescadores que são os principais prejudicados, porque tal impacto afeta todos nós. E principalmente pq todos nós somos indiretamente responsáveis, seja por termos nossos hábitos industrializados, ou por nossa cegueira em colocar pessoas erradas no poder pensando só em nossos próprios benefícios. Ou por não cobrarmos dos governantes coisas básicas como saneamento básico, tratamento adequado de nossos dejetos etc. A área ambientalmente afetada, é localizada nos limites dos municípios de Natal, Macaíba e São Gonçalo do Amarante, e se tornou um cemitério (literalmente) a céu aberto de tainhas, siris, bagres, moreias e outros tipos de pescado, por conta do que os pescadores chamaram de “água avermelhada e fedorenta” que os teria deixado sem oxigênio. A reportagem da TRIBUNA DO NORTE (um dos jornais mais bem reconhecidos na minha cidade, e de onde tirei as informações citadas nesta postagem) percorreu ontem cerca de oito quilômetros do Jundiaí, partindo do povoado de Água Doce, às margens da BR-226, e não encontrou sequer sinal de vida marinha. No entanto, a água se encontrava repleta de peixes mortos, boiando de uma margem à outra do rio, que nesse trecho chega a ter mais de 100 metros de largura. No mangue, porém, a cena ainda era mais desesperadora. Com a maré baixa, milhares de animais marinhos ficaram pendurados nos galhos e uma lista branca de peixes, já em fase de putrefação, se estendia por toda a margem.“Cheguei a chorar quando vi a situação. Para nós, é o maior desastre ecológico da história do Rio Grande do Norte. Há cerca de cinco anos houve uma mortandade de peixes, mas igual a essa nunca”, afirmou a bióloga e consultora ambiental Rose Dantas, que há mais de um ano vem realizando estudos no local. Ela lamenta que “uma área tão bonita” seja ponto de despejo dos esgotos e demais resíduos sólidos captados por empresas imunizadoras da Grande Natal. Segundo a pesquisadora, ainda que todo o problema seja logo sanado, inclusive impedindo que as empresas voltem a despejar dejetos no rio, o impacto foi tamanho que será necessário, pelo menos, seis meses para que os pescadores voltem ao trabalho e, para despoluir totalmente a área, seriam necessários cerca de 15 anos. A bióloga Rose Dantas ainda diz mais:“É muito trágico. Nesse final de semana fiz coleta de arraias, moreias, encontramos até garças mortas”. Não é necessário sequer entrar no rio para ter uma noção da gravidade do quadro, às margens já podem ser encontrados siris, peixes e cobras d’água mortos. Porém, nas curvas do Jundiaí se concentra a maior quantidade de espécies sem vida. Nem mesmo banho os ribeirinhos estão se arriscando a tomar. Alimentar-se do pescado é uma idéia descartada. Rose Dantas, aliás, alerta que a população como um todo deve evitar o consumo de peixes e crustáceos vindos dessa área. “Você corre o risco de contrair hepatite A e vários outros problemas, como diarréia e febre tifóide”, ressalta. Uma das suspeitas é a de contaminação química gerada por algum tipo de produto despejado no rio, o que causou a falta de oxigênio para os peixes. A pesquisadora destaca, porém, que se a situação se agravou de forma dramática nos últimos sete dias, com o aparecimento da “água avermelhada” e dos peixes mortos, a degradação do rio é antiga. “A solução que tem de ser tomada é o saneamento básico, porque você encontra nessa área um grau de poluição de 30 anos, que é o prazo que esse trecho vem sendo bombardeado. As espécies aqui já nem se desenvolvem mais, são raquíticas”, aponta. O maior desastre ecológico em mangues, no RN, foi provocado pela salina Amarra Negra, em Galinhos, na década de 1980. Pescadores são as principais vítimas do desastre ecológico. Durante todo o dia de ontem (30/07), os pescadores da Colônia de Macaíba só desamarraram suas canoas para levar pesquisadores e jornalistas aos locais de maior acúmulo de peixes mortos. Eles são a principal vítima do desastre, pois já sabem que pelo menos até o final deste ano não poderão retomar suas atividades. “De sexta para sábado uma água avermelhada veio rio acima, ficou ‘liguenta’ feito barro, e os peixes foram fugindo dela, começando a ficar ‘bêbados’. Quando foi já no sábado começou a aparecer a multidão de peixes mortos”, afirma o pescador João Alves da Cruz, de 57 anos. Assim como ele, pelo menos outros 90 pescadores da colônia de Macaíba e outros cerca de 300 das colônias de São Gonçalo e de distritos próximos viram com desespero a imensa de quantidade de peixes que veio à tona, sem vida, nos últimos dias. “Tá tudo perdido, acabou-se. Até arraia, que fica lá embaixo e é a mais difícil de morrer, já tá morrendo. A gente que é pai de família, vai viver de quê?”, questiona João Alves. Também pescador, José Pedro da Silva assegura que até as galinhas criadas à margem do rio e que acabam se alimentando dos peixes mortos, já estão morrendo. “Perdi algumas minhas que bicaram os baiacus mortos na beira do rio”, confirma. Já José de Arimatéia da Silva, o “Dunga”, diz que, no domingo, em alguns pontos do rio sequer era possível ver a lama do mangue, de tantos peixes mortos formando um “tapete” sobre a água. A principal suspeita dos pescadores diz respeito a um suposto derramamento irregular de resíduos, vindos de uma fábrica de refrigerantes, por parte de uma imunizadora que possui estação de tratamento no local. O clima chegou a ficar tenso entre os moradores da área, em relação à empresa. “Já viu um cara com necessidade na barriga pensar antes de fazer alguma coisa”, chegou a ameaçar um deles. Integrantes do Partido Verde, os deputados Gilson Moura e Micarla de Sousa e o vereador natalense Edivan Martins estiveram no local e prometeram aos pescadores que vão buscar soluções, inclusive junto à governadora Wilma de Faria, para que se garante alguma alternativa de renda, enquanto o problema não é solucionado. Empresário diz ter captado resíduos da Coca-cola. O empresário Edson Bezerra, da Imunizadora Potiguar, reconhece que captou, há alguns dias, os resíduos da estação de tratamento da fábrica da Coca-Cola. “É uma espécie de pasta, ou lodo de coloração escura, mas não é vermelho”, disse. Ele afirma que mandou escavar um outro tanque e revestiu com lonas plásticas para impermeabilizar a superfície. A estação de tratamento é apontada por pescadores e ribeirinhos como provável origem da contaminação. O local é uma extensão das “baias” já existentes às margens do rio Potengi. Segundo ele, o resíduo oriundo da fábrica de bebidas foi depositado para secagem por evaporação. A secagem, nas explicação de Edson Bezerra, é a condição exigida para o resíduo ser aceito no aterro sanitário de Ceará-Mirim. “Mesmo com as chuvas não houve extravasamento nenhum para o rio”, assegurou. A autorização e inspeção do material chegou a ser feita pelo Idema-RN, segundo reconheceu ontem a Ivanoska Miranda, coordenadora de Meio Ambiente. Ivanoska Miranda afirma que o órgão estadual autorizou e fiscalizou o local. “Isso deve ter cerca de 15 dias”, disse a coordenadora do Idema, referindo-se à data que os resíduos foram levados à estação da imunizadora. “O material de características orgânicas foi analisado, classificado e liberado”.O Idema-RN aguarda os resultados das análises dos materiais coletados no local onde havia concentração de peixes mortos, além das amostras captadas ao longo do rio Potengi, inclusive no trecho já próximo à “boca da barra”. O Instituto aguarda os resultados para cruzar as informações dos laudos referentes às amostras coletadas em cada uma das empresas instaladas ao longo do rio. Edson Bezerra esteve no local conversando com pescadores. Ele se disse preocupado em que se descubra, o quanto antes, a causa da mortandade dos peixes, já que as empresas do seu ramo vem sendo apontadas como possíveis culpadas. “Tenho certeza que não foi por conta das imunizadoras. Acho que deve ser algum produto químico, mas pelo que disseram está vindo de Macaíba”, afirmou. A lagoa de tratamento de sua empresa funciona há 15 anos e fica rio abaixo do principal ponto em que foi registrado o desastre ambiental. O empresário garante que, além de possuir todas autorizações legais para o funcionamento da estação, também não houve qualquer mudança recente na forma, ou nos produtos com que são tratados os resíduos. “Estou solidário com os pescadores e torço para que se encontre logo a causa dessa tragédia.” Ainda segundo ele, há uma amostragem bimestral de material que é levado à análise do Idema.Esse foi o segundo problema enfrentado nos manguezais do Rio Grande do Norte nos últimos tempos. Em 2000, caraguejos começaram a aparecer mortos no litoral de Canguaretama. Na época, várias hipóteses foram levantadas, mas nenhuma delas confirmadas.

4 comentários:

meiroca disse...

querida, vc ja estava programad apra hoje...teu nominho esta la desde cedo...
bem politicamente to chegando pra pedir voto.

Maitê disse...

Menina, já sei o que escrever. Eu, pelo menos, agora, tô pensando no mestrado já, tbém que vou fazer. Esse sim preciso de sorte. Vai lá, que dessa vez vc vai fazer doutorado... Abs

Anônimo disse...

Cara, me parece que a tal imunizadora que recolheu resíduo orgânico da estaçào de tratamento da fábrica de Coca-Cola fica abaixo, no Rio, de onde ocorreu a mortandade. E o material, orgânico e já periciado, continuava lá para secagem, sem qualquer vazamento. Sei que quem falou desta hipótese foi o jornal, mas vale esclarecer. Parabéns pelo Blog. Pitocos são seus cachorros?

Ingrid disse...

Caro anônimo. Vou escrever sobre o Rio mais para frente, quando a justiça mostrar os verdadeiros culpados. Se não foi a imunizadora, se foi a empresa de criação de camarão Veríssimo e Filho, vou mostrar mais tarde. Mas este post quis ressaltar principalmente o grande impacto que isso teve no ambiente do RN. Gostaria que o senhor(a) colocasse seu nome para eu poder saber com quem me dirigir da próxima vez, visto que gostou do Blog, imagino que venha mais vezes. Até para ter certeza que te respondi. Os "pitocos", na verdade, não são os cães (se bem que eu adoraria criar essa raça de cães, golden retrivier), e sim uma mania que tenho. Quem sabe qualquer dia explico o que seja. Espero ter respondido tudo. Quando tiver noção dos verdadeiros culpados, irei publicar outro post. Por agora, está muito cedo. Um abraço e volte sempre!