"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"A-Antoine de Saint-Exupéry
Exupéry

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Cyberciência, problema ou solução?


O post que prometi falar ontem, e que disse que era polêmico, era este. É sobre um cientista que apareceu no último domingo no Fantástico (programa da globo). Esse cientista inglês (Kevin Warwick), pesquisador-chefe do Instituto de Robótica da Universidade de Reading, na Inglaterra, implantou chips no corpo para mostrar como o homem pode interagir com máquinas.

Não sou contra a tecnologia, se usada com cautela, e bem pensada antes de ser usada por todo mundo. Para isso existe a bioética. Se os experimentos que ele anda fazendo em seu próprio corpo vão resultar em ganhos para o ser humano, não sei, só o futuro dirá. Só sei que não aceito ouvir asneiras.
Ele anunciou, sem ao menos testar na cabeça dele (inserir o chip no seu cérebro), que no futuro, crianças com chips implantados no cérebro vão aprender, em segundos, o que levariam anos estudando na escola. Acho interessante o método dele de pesquisar usando seu próprio corpo como cobaia, visto que os cientistas normalmente usam pequenos animais para isso. É bem pouco ortodoxo, mas existe louco para tudo, se der algo errado no próximo implante que ele quiser fazer no cérebro dele, é problema dele, agora afirmar que as crianças vão aprender como se fosse MATRIX , como se fosse um download de informações. Ele diz que as crianças serão educadas não nas escolas, como hoje, mas através de chips que serão implantados no cérebro. A educação estará em um software. A criança não precisará estudar matemática, fatos e números. Bastará apertar um botão. O estudante aprenderá tudo automaticamente.
Sabemos que a aprendizagem é feita por tanto tempo pq no decorrer do crescimento nosso cérebro está se desenvolvendo para tando. Tudo tem seu tempo, e afirmar isso sem ao menos testar é leviano. E os professores? Não vão mais existir? E a humanidade de se passar uma lição de vida para os alunos? A palavra que eles esperam de um professor, pq professor não só repassa os conhecimentos como também é um orientador, assim como os pais. Se hoje em dia nossas crianças estão cada vez mais longe dos pais, que trabalham o dia todo, e o tempo que elas tem com pessoas, com humanos, não existir mais e sim uma máquina que passa dados para ela, onde iremos chegar com o futuro humano delas??? São pessoas, POMBAS! Não são máquinas que recebem dados. Isso para mim é pensamento de alguém preguiçoso que quer tudo fácil, mastigado. A criança precisa estudar, testar seus conhecimentos entre elas e com o professor. Coisa de preguiçoso, essa tecnologia oferece. PArece mais idéia de americanos que não aprendem todas as disciplinas como nós brasileiros, que nem conhecem a geografia como um todo, só a sua e a que eles pensam serem sua (mas isso é outra conversa).


Outra coisa bárbara que descordo de corpo e alma do pesquisador, é quando ele diz que no futuro, quem não usar esses chips, que vão controlar as máquinas até a uma certa distância entre países, será considerada uma subespécie. MEU DEUS DO CÉU!!!!! Isso já dá a entender no preconceito que vai ter com relação a essas pessoas que não optam por usar tal chip. E as pessoas que não tem dinheiro para tal tecnologia? Vão ficar cada vez mais excluídas, SUBESPÉCIES? Espero que ele saiba o que significa a palavra espécie pelo menos. Evolução humana que vai levar um ser humano a ser robótico, uma espécie robótica que vai dominar o mundo? Sei não, mas as vezes penso que é melhor voltar aos anos antigos dos nossos tataravós... Essa tecnologia que ele está oferencendo que uma pessoa pode controlar uma máquina a milhas de distância, pode até ser usada em guerras. Aí já viu, quem tem o poder sempre ganha, dos países em desenvolvimento.







Não sei não... Para mim ele levantar coisas assim desse jeito é muito impensado, parece mais marketing do próprio trabalho do que algo sério, bem pensado, onde se pensa nas consequências.

Outra coisa que ele diz, e que é importante pensar, é que o implante que ele fez no braço pode ser usado como identificação. Quem estiver com o chip implantado poderá ter o acesso liberado em prédios de segurança máxima. Já pensou se um bandido inteligente consegue isso? Que desastre? Ou um terrorista.

Outra coisa que ele diz, até contrário ao meu pensamento anterior sobre os criminosos, é que há outro chip que pode ser implantado em criminosos como pedófilos, por exemplo. Toda vez que o pedófilo se aproximar de um local como um shopping, as portas se fecharão. É um uso possível, diz o pesquisador. Mas se o criminoso já pagou pelo seu crime, não vai poder fazer compras num shopping só pelo passado dele? Num país como o nosso em que os ladrões simples pagam pelo resto da vida com preconceito porque a ficha está suja, não conseguindo emprego descente depois de sair da prisão, enquanto que os "colarinhos brancos" estão soltos. Imagina um cara desse que não consegue emprego nem pode entrar num shopping mais para comprar presentes para sua mulher e filhos só porque alguém teve essa brilhante idéia de inventar um chip, vender para governos como o nosso implantem nele, e todas as lojas se fechem para ele, além de portas possíveis de emprego, pq o chip disse que ele roubou um dia, mas não diz que foi para comprar comida para sua família. Imagina só que problema?!!!!!
Ainda ouvi uma vez dizerem no jornal a muito tempo que podemos chegar ao ponto de termos uma identidade dentro do nosso corpo onde diz que temos uma doença grave! Aí é que os empregadores não vão contratar ninguém doente, com AIDS por exemplo, ou planos de saúde não vão aceitar usuários que tem uma predisposição ao câncer (pq tudo isso é possível de se colocar em um chip no futuro).

Gente, eu sei que pedofilia (que foi o caso em que ele abordou), é um crime bárbaro e merece punição severa, mas eu vejo muitas vezes como uma doença, e que deve ser tratada, ou a pessoa deve ficar sendo sempre vigiada, mas trabalhando duro pelo resto da vida para sustentar a família. Mas privar ela depois de um julgamento de não ir a lugares publicos, ela tendo sua liberdade conquistada, que liberdade é essa? E se ela quiser molestar alguém não vai ser só em shoppings, e sim em qualquer lugar na rua que ela possa ver uma criança sozinha para ser assediada. A tecnologia boa para esse tipo de caso, é um meio de evitar que ela faça isso, um alarme, algo assim... Não privá-la de ambientes fechados mas públicos.

Nisso tudo que eu disse, concluo que temos que pesar os benefícios e os malefícios de uma tecnologia que está sendo testada. Penso no seguinte: Queremos e podemos ter essa tecnologia? Como ela vai ser aplicada? Quem vai poder usar? Pessoas serão prejudicadas? Entre outras questões para cada assunto específico.

É isso.. Exprimam suas opiniões, estão livres aqui de dizer o que quiserem. Afinal, ainda não há controle na rede virtual que se possa impedir alguém de escrever suas opiniões sensatas. Pena que também não há limites para tantas asneiras na mídia. Espero que o Fantástico, no futuro, retrate-se sobre essa reportagem, se virem que esse pesquisador é um louco, ou um possível charlatão. Para quem não viu a reportagem desse domingo (12/08/2007) sobre esse assunto, o site abaixo mostra tudo, na íntegra, até com o vídeo! Uma boa semana!



3 comentários:

nana' hayne disse...

Bom dia Ingrid,

Em 1982, assisti Blade Runner, um filme futurísta de Los Angeles em Novembro de 2019. Também li o livro Admirável Mundo Novo, que prevê um futuro onde as pessoas são pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia, dentro de uma sociedade organizada por castas. Tal sociedade não possui a ética religiosa e valores morais ou conceito familia. Qualquer dúvida e insegurança dos cidadãos era dissipada com o consumo da droga sem efeitos colaterais chamada "soma". As crianças têm educação sexual desde o início da vida.

O filme Uma visão de 2020 (Soylend Green), que considero muito mas próximo do que realmente está para acontecer com a sociedade como um todo, já em 1973 mostrava:
No ano de 2022 o mundo superpopulado sofre com o aquecimento e o efeito estufa. Todos são obrigados a morar nas cidades e sofrem com a falta de comida natural. Um pote de geléia de morangos custa 150 dólares, então a maioria das pessoas ingere uma comida artificial conhecida como Soylent Green. Quando um policial detetive investiga um caso de morte que envolve um executivo da Soylent Corporation, descobre a verdadeira fonte do produto. Como não havia mais quase mais nada "vivo" sobre a terra, tal alimento era feito dos cadáveres de quem falecia.
Os bibliotecários comandam o mundo porque eles são os únicos que têm, ou sabem onde conseguir, a informação. Acho uma reflexão interessante pois foi vislumbrada bem antes dos computadores e da explosão da informação.

Acho que este cientista, viu filmes demais... Mas se o que ele diz vier a acontecer, não se engane, seremos os ultimos a saber.

bjs

nana' hayne disse...

Oi Ingrid, boa tarde!

Querida, vim te dizer que indiquei o seu Blog para o prêmio que a Elza http://npramim.blogspot.com/ está organizando para o Blog Day, ok?

bjs :)

Elza disse...

Olá!!
Estou passando por aqui para dar meus parabéns
pela sua indicação, ao prêmio blog 5 estrelas!
Seu blog é muito original, parabéns 2x!
rsrs...
=]