"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"A-Antoine de Saint-Exupéry
Exupéry

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Deus, Um delírio - Richard Dawkins

Para continuar o assunto Fé X Ciência com o biólogo, professor da Universidade de Oxford e cientista britânico, Richard Dawkins, no meio, vou colocar aqui um texto da Folha de SP datada do dia 25/08, que tive o prazer de receber por e-mail. Fala mais sobre o Biólogo, e sobre o livro lançado por ele, o "Deus, um delírio" (já mencionado talvez nesses vídeos do post passado).






Eu tenho um livro dele, "O gene egoísta", que é muito bom, mas não tão polêmico quanto esse que se refere a fé.









Ele também escreveu "O relojoeiro Cego", que ainda estou para ler. De acordo com meu noivo, também muito bom. NAda futurista, tudo baseado em fortes argumentos. Boa leitura, boa noite a todos e continuação de uma boa semana!








A ciência contra Deus

Corajoso e furibundo, "Deus, um Delírio", de Richard Dawkins, traz forte argumentação em favor do ateísmo, critica a irracionalidade e diz que religiões são nocivas ao bem-estar humano. No livro, cientista britânico utiliza argumentos evolucionistas e considera a existência de Deus uma grande improbabilidade Marcelo Coelho escreve para a “Folha de SP”:Sacerdotes e cientistas mantiveram, durante um bom tempo, certas normas de convivência pacífica: salvo as exceções mais radicais, um não se metia com os assuntos do outro. Hipocrisia, afirma o biólogo Richard Dawkins no corajoso e furibundo "Deus, um Delírio".Dawkins inicia sua forte argumentação em favor do ateísmo assinalando que a maior parte dos cientistas, inclusive o físico alemão Albert Einstein (1879-1955), cuidava de fazer vagas profissões de fé deístas apenas para não chocar os espíritos religiosos. Acreditar num "Deus que não joga dados", como formulado na famosa frase de Einstein, equivale muito mais a confiar nas regularidades das leis da natureza do que a afirmar qualquer coisa próxima de uma religião.Acontece que os esforços no sentido de separar ciência e fé, Estado laico e convicção religiosa, foram sendo solapados ultimamente.Nos EUA, ganha especial virulência a campanha contra o darwinismo, levada por fundamentalistas bíblicos e adeptos da teoria do design inteligente.Entre os muçulmanos, quaisquer críticas à religião encontram as respostas que se conhecem – e Dawkins faz um relato aterrorizante das reações suscitadas, mesmo entre grupos não-fundamentalistas, pelas célebres charges sobre Maomé inicialmente publicadas por um jornal dinamarquês. Do lado católico, o papa Bento 16 está longe de se mostrar tímido e conformado com o papel da razão iluminista nas sociedades ocidentais.Verdade que o próprio darwinismo procura conquistar novas áreas de influência, seja na prática (com o desenvolvimento das pesquisas sobre o genoma), seja na teoria (descobrindo razões biológicas para muito do que se acreditava pertencer à ordem da psicanálise ou da cultura).Grito de guerraO livro de Dawkins surge nesse contexto como uma espécie de grito de guerra, de chamado à mobilização geral. Basta, diz ele, de respeitar um conjunto de crenças que não é apenas improvável, como profundamente tolo e nocivo ao bem-estar humano. Basta de "respeitar" a irracionalidade alheia. Os ateus esconderam-se tempo demais nas catacumbas. Perseguidos, estigmatizados, envergonhados, cabe-lhes assumir a iniciativa do debate intelectual.Não é suficiente para Dawkins que se declarem "agnósticos" -e, na discussão desse termo, localiza-se talvez o ponto mais incisivo e original de sua argumentação. Um agnóstico, explica o autor, considera impossível responder se Deus existe ou não. Seja porque não surgiram até hoje provas convincentes de sua existência, seja porque essas provas seriam a rigor impossíveis de obter.ImprobabilidadesCom efeito, pelo menos desde Kant (1724-1804), uma série de supostas "provas racionais" da existência de Deus mostrou-se incapaz de resistir a um exame rigoroso; Dawkins dedica um capítulo de seu livro a um sumário e feroz resumo desses debates.A posição agnóstica não basta, contudo, para Dawkins. O cientista agnóstico se contenta em deixar a questão sobre a existência de Deus no campo das coisas que não lhe dizem respeito. "Deus, um delírio" apresenta um argumento destinado a lançar a existência de Deus no campo das improbabilidades quase absolutas.Um dos argumentos preferidos pelos criacionistas é o de que o acaso, por si só, não seria capaz de produzir coisas tão complexas quanto um olho humano ou a asa de uma borboleta. O surgimento de tais maravilhas a partir do acaso seria tão improvável, dizem os criacionistas, quanto imaginar que um furacão, passando por cima de um ferro-velho, montasse peça por peça um Boeing 747.Dawkins refuta a tese de modo convincente. Asas de borboleta e olhos humanos não surgem "prontos" na natureza, a partir de uma combinação aleatória de moléculas. Os darwinistas não acreditam que tais coisas nasceram por acaso, e sim da seleção natural. Mostram como organismos complexos evoluíram, pouco a pouco, a partir de formas de vida muito simples. E isso, diz o autor, é muito mais provável do que imaginar um "criador inteligente" . Pois para projetar um Boeing é preciso ser um bocado mais complexo do que um Boeing. E, para repetir uma objeção clássica à idéia de Deus, fica a pergunta: "Quem teria criado o criador?" Um outro ser, ainda mais complexo do que ele?Com boa variedade de exemplos e clareza expositiva, "Deus, um delírio" teria tudo para fazer a alegria de espíritos céticos ou ateus, como o deste resenhista. Mas o que sobra a Dawkins de inteligência científica parece lhe faltar de inteligência emocional. Há mais exasperação do que ironia, mais precipitação do que serenidade, no modo com que ele encaminha a discussão. Dawkins consegue chocar profundamente, com piadas brutais, algumas sensibilidades religiosas, sem ganhar a simpatia dos que concordam com seu ponto de vista.Foi-se o tempo em que filósofos descrentes podiam brincar, com superioridade anglo-saxônica, a respeito de crendices religiosas.As diversas citações de Bertrand Russell, de H. L. Mencken e mesmo de Woody Allen, que volta e meia aparecem em "Deus, um Delírio", são como que deliciosos remanescentes de outra era geológica, em que a ciência não se sentia tão acuada e perseguida.Criticava-se com verve e paz de espírito; este panfleto evolucionista, embora sólido cientificamente, parece debater-se e gesticular como uma fera aprisionada em sua jaula. Mas vale a pena ouvir seus urros: neles está, ai de nós, a voz da Razão.Livro: Deus, um delírio, de Richard Dawkins (Tradução: Fernanda Ravagnani), Editora: Companhias das Letras. Preço: R$ 54 (528 págs.). Avaliação: bom(Folha de SP, 25/8)__._,_.___

7 comentários:

Cadinho RoCo disse...

Todo e qualquer relato humano traz em si a limitação, porque smos seres limitados, porém livres. Acreditar em Deus é pura questão de fé e por isso livre de comprovações menores. Deus não deixará e existir só porque existem aqueles que nele não acreditam em nome de uma ciência que jamais e digo jamais mesmo, terá como provar a inexistência, ou até mesmo a existência de Deus. Esta é, repito, qustão de fé. A propósito, na ciência existem mais erros ou acertos? Para se chegar a um acerto passa-se por quantos erros? Pra completar a resposta à pergunta "Quem criou o criador" é por demais simples. Ninguém criou o criador, posto ser ele o que cria, a origem, o início o meio e o fim, por sua dimensão infinita. Favor não confundir criador com criatura, que é quem cria a partir do criador. A propósito, se é para confundir, onde estão as nascentes dos oceanos?
Cadinho RoCo

Ronald disse...

Ingrid, antes de mais nada desculpe a demora pelo retorno à sua morada, é muita gente para pouco tempo. No mais, que assunto você arrumou, heim? Imagina uma blogagem a respeito do tema. Naquilo que me diz respeito e, mesmo sem ter lido nada antes a respeito da citada obra, informo que sou meio ateu mesmo não no sentido de não acreditar, mas considerando-se que muitas seitas e dogmas de hoje servem somente ao comércio, nada mais. Vou procurar ler olivro com mais calma e procurar absolver com mais detalhes o que diz o autor. Boa e sexta e ótimo final de semana.

Milton disse...

Meu caro "cadinho roco", você deve estar brincando...vc "quer confundir" com isso? rio ou oceano pode ter uma nascente de outro rio ou de algum lençol freático nas camadas internas da terra...onde está a "confusão" nisso? Qualquer estudantezinho secundário razoalvemente bom em geografia sabe disso.

Outra coisa...ninguém prova a inexistência de algo...isso é uma falácia chamada inversão do ônus da prova...quem afirma algo é que deve provar, portanto, vcs religiosos é que devem provar a existência deste tal deus, e não o contrário. Outra coisa, afirmar que "ninguém criou o criador" simplesmente por decreto não ajuda em nada. Você tem um argumento racional que comprove isso?

Osmar Neves disse...

Para aqueles que gostariam de conhecer uma contestação às idéias desenvolvidas por Dawkins, eu gostaria de sugerir a leitura do livro "O Delírio de Dawkins" do biofísico molecular e teólogo de Oxford Alister McGrath. Pode ser adquirido no site da www.saraiva.com.br e a leitura de alguns trechos pode ser feita em http://www.mundocristao.com.br/adicionais/dawkins.pdf ou http://www.mundocristao.com.br/adicionais/dawkins.htm . Eis a resenhado livro de Alister McGrath, O Delírio de Dawkins: "Considerado o ícone do ateísmo contemporâneo, Richard Dawkins, autor de "Deus, Um Delírio", tem suas idéias postas à prova pela análise minuciosa e perspicaz de Alister McGrath e sua esposa Joanna McGrath , em "O Delírio de Dawkins". Alister, outrora ateu, doutorou-se em biofísica molecular antes de tornar-se teólogo. Admirador da obra de Dawkins, Alister revela sua perplexidade pela guinada irracional de seu colega de Oxford, não tanto pelo ateísmo em si, mas pela absoluta inconsistência de seus argumentos, aliados à intolerância desmedida. Ao discutir os pressupostos de Dawkins, os autores trazem à tona questões fundamentais dos tempos pós-modernos: fé, coexistência de religião e ciência, liberdade de crença, o sentido da vida e a busca de significado, que, a julgar pela repercussão de Deus, um delírio, merecem contundente posicionamento cristão."

sergio disse...

HAHA
concordo com Dawkins...
para mim deus é uma simples figura apterna adotada pelos homens para poderem ser julgados.
assim fazendo boas açoes sendo recompensados com a prom,messa do céu e a felicidade eterna ao aldo do criador.

Jussara disse...

Fé é esperança,coração.
Ciência é comprovação, razão.
Contudo podem andar de mãos dadas. A fé burra e cega é para fanáticos.

A fé pode e deve, independer da religião.

Nietzsche se referia a religião, como Deus. Sua revolta era contra religiosos.

Louis Pasteur, com toda sua ciência afirmou:
"Um pouco de ciência nos afasta de Deus, muito nos aproxima".
(L'Age nouveau, Edições 99-104‎ - Página 66).

Toda a ordem do Universo, ainda não consegue ser explicada pelo homem. Um dia talvez, ou não.

Gisele disse...

Ainda não li o livro, mas posso dizer que crer ou não em Deus é uma questão de fé. Hoje em dia muitos religiosos estão fazendo da religião um comércio, isso é fato. Estão manchando a imagem de Cristo! Mas se quer ter a certeza que ele existe, simplesmente respire, não espere por algo pior para ter que procurá-lo!Conheço muitas pessoas que não acreditavam em Deus, mas que depois de uma situação difícil, onde não tinha mais aonde recorrer, procuraram por Ele e tiveram seus problemas resolvidos. O que dizer de alguém que foi curado de uma doença terminal, onde até mesmo os médicos já tinham o desenganado? Que foi psicológico? O que dizer de uma criança que estava morta por ter afogado em uma piscina e os médicos terem dito à sua mãe que não tinha mais jeito, e logo após ela clamar à Deus, a criança ter voltado à vida???Médicos que não acreditavam em Deus passaram a acreditar!Não tem o que dizer...não tem o que questionar!Isso não é ficção...é realidade!!!Isso eu posso provar!O pior cego é aquele que não quer ver!!!Deus não tem que ser questionado, e ninguém tem o direito de querer provar ou não a sua existência...só tomem muito cuidado com o que falam, pq Deus é amor, mas também é justiça!Eu acredito Nele pq eu sinto a presença dele...é como o vento, vc não vê mas pode sentir! Quer saber se Ele existe?Pergunte a Ele...e terás experiências incríveis!Agradeço à Deus por não ser incrédula e por poder me dado a oportunidade de conhecê-lo da forma que conheço...sou mto feliz por isso!!!